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Muito além de Malbec

Em Vinhos, junho 5, 2010 às 1:12 pm

Qualquer pessoa que consome vinho com alguma regularidade sabe que o bom Malbec está na Argentina. De fato, esta uva de origem francesa, ainda cultivada na região de Cahors, se deu tão bem em terras argentinas que muitos pensam se tratar de uma uva autóctone e o consumidor pouco atento, por segurança, quase sempre busca vinhos argentinos elaborados com ela.

Acontece que a região de Mendoza, onde está concentrada quase toda a produção de vinhos finos do país, é uma das maiores zonas vitivinícolas do mundo, e, por esta razão, a diversidade de solos e microclimas favorece o cultivo de outras variedades de uvas, como a Syrah, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Chardonnay, para ficarmos apenas entre as mais bem sucedidas. Fora de Mendoza, outras regiões se destacam, como a Patagônia e seus novos Merlot e Pinot Noir, e as províncias de La Rioja, Catamarca e Salta, no extremo norte do país, com seus vinhedos de altitude e onde a uva mais cultivada é a branca Torrontés. Depois de provar quase todos os tintos de grandes produtores de Mendoza e garimpar também os vinhos mais destacados de outras regiões, segue meu Top 5 de tintos argentinos “não-Malbec”:

1- O.Fournier Syrah 2004 O espanhol José Manuel Ortega Fournier produz grandes tintos de corte em sua “nave espacial” em Mendoza e é um dos que mais sabem trabalhar a uva Tempranillo em solo argentino. Curiosamente, seu vinho ícone e, para mim, o melhor deles, é um monovarietal Syrah. É um vinho opulento, musculoso, no melhor estilo Novo Mundo.Vinci, US$ 159,50.

2- Viña Alicia Cuarzo Petit Verdot 2005 – Tinto de bastante extrato, com uma cor quase negra. Nariz complexo, predominando as notas de especiarias e aromas terrosos. Algo tânico, com equilibrada acidez, é um vinho para guardar por mais um par de anos. Decanter, R$ 223,00.

3 – Chacra 32 Pinot Noir 2006 – Em 2004, o italiano Piero Incisa della Rocchetta, dono da grande estrela toscana Sassicaia, adquiriu alguns vinhedos abandonados no Vale de Rio Negro, no extremo norte da Patagônia, e convidou o enólogo dinamarquês Hans Vinding Diers, adepto do sistema biodinâmico, para o projeto de vinhos artesanais na Argentina. O Chacra 32 é elaborado a partir de 2,2 hectares de vinhas datadas de 1932, e tem uma produção limitada a pouco mais de 7 mil garrafas/ano. Antes de provar este vinho, torcia o nariz para a idéia de Pinot Noir produzido na América do Sul. Nada como uma degustação às cegas para mudar minha opinião! Foi considerado o segundo melhor entre 9 rótulos, quase todos de grandes produtores da Bourgogne e Califórnia. Como no Brasil segundo lugar é o mesmo que o último, devo dizer que o primeiro lugar foi um Richebourg do Domaine de la Romanée-Conti, que deveria ser hors concours.  Expand, R$ 420,00.

4 – Laborvm Tannat 2005 - A uva que é a mais cultivada no vizinho Uruguai também se aclimatou muito bem na altitude de Salta, onde é muito usada em cortes com outras variedades. A linha de vinhos Laborvm, da bodega El Porvenir de los Andes, é uma das melhores e mais regulares da região em termos qualitativos, com um Torrontés e um Syrah também excelentes. Seu Tannat é redondo, com ótima acidez e álcool muito bem equilibrado. Porto Leblon, R$ 125,00.

5- Desierto Pampa Blend 2006 - Vinho top de linha da nova Bodega del Desierto, única vinícola da província de La Pampa e que conta com a a consultoria do enólogo Paul Hobbs. Este corte das variedades Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc se mostrou incrivelmente equilibrado e harmônico, apesar de seus 14.9% de graduação alcoólica e estagiar por 20 meses em barricas francesas e americanas. Também produz bons varietais de Cabernet Franc, Syrah e Viognier, mas o melhor deste produtor é mesmo o Blend. Infelizmente, ainda sem importação no Brasil.

Comendo “rápido” em Buenos Aires

Em Argentina, junho 2, 2010 às 7:09 pm

Ainda com saudades da capital argentina, segue minha lista das melhores refeições rápidas de Buenos Aires. O conceito de rapidez se aplica aqui à simplicidade dos pratos, que podem ser pequenos lanches, sanduíches, porções de tapas e até sobremesas, porque, com exceção do jogador Messi, nada é veloz na terra dos hermanos.

1- L’Orangerie – Localizado dentro do luxuosíssimo hotel Alvear, o restaurante L’Orangerie funciona todas as tardes como uma casa de chá. Aliás, é quase um acontecimento social tomar um chá ali. O ambiente é frequentado não somente pelos hóspedes e nota-se que a maioria do público é formado por abastadas senhoras argentinas. Na semana passada, tive a sorte de participar do chá em comemoração pelo Bicentenário da Independência, onde foram servidas deliciosas comidinhas e um muito bem selecionado espumante argentino, Baron B Extra Brut. Sem esquecer do personagem principal, o chá, um blend fantástico de autoria da loja Tealosophy, de Inés Berton.  Alvear 1883 – Recoleta

2- Como en Casa - Por não ser um louco por tortas e bolos, confesso que entrei desconfiado no belo casarão onde funciona. Logo desfiz a impressão, pois não é uma simples doceria. Durante o dia, um menu de saladas e sanduíches acompanha as tortas. Após as 20:30, a cozinha abre de verdade e a casa se transforma também em um restaurante. O serviço é atencioso e vale a pena correr para uma mesa no bucólico pátio interno.  Riobamba 1239 – Barrio Norte.

3- Sagardi Euskal Taberna - Filial argentina desta que é uma das melhores sidrerias espanholas. Inspirada nas tabernas do País Vasco, Sagardi tem outras 12 lojas espalhadas por Catalunya, Valencia, Madrid, Zaragoza e Andorra, onde é possível degustar enorme variedade de pintxos acompanhados de uma boa sidra. A carta de vinhos é pequena, mas composta de grandes vinhos argentinos e espanhóis, com destaque para o cava Krypta, do produtor Agustí Torelló, uma raridade mesmo em terras espanholas. Humberto Primo 319 – San Telmo.

4- B Blue – Seus proprietários são exportadores de blueberry e a frutinha azul está presente em quase todo o cardápio. Shake de blueberry, cheesecake de blueberry (maravilhoso!), blueberry muffin… Além das berries, os sanduíches são excelentes, com destaque para o Catalán, com pão artesanal de azeitona, jamón serrano, queijo de ovelha, folhas de manjericão fresco e tomate seco com azeite de oliva. Mas é bom ir sem pressa, porque o lugar está sempre lotado e as garçonetes, embora simpáticas, são algo lentas.  Armenia 1602 – Palermo.

5- El Francés – Já faz muito tempo que não entro neste pequeno bistrô, mas ele continua lá, funcionando e sempre cheio. É lugar para qualquer hora do dia, pois ali servem de café da manhã a pratos elaborados. A sopa de cebola com queijo gruyère e croûtons, os raviolones de queijo de cabra com nozes e molho de queijo azul e emulsão de cerejas são inesquecíveis.  De sobremesa, o creme brûlée de Bailey’s.  Gorriti 5099 – Palermo

As melhores empanadas de Buenos Aires

Em Argentina, junho 1, 2010 às 4:48 am

Ontem retornei de Buenos Aires pensando no que havia comido de melhor durante a semana. Em toda viagem descobrimos novos lugares e sabores, mas não consigo pensar na capital porteña sem as onipresentes empanadas. Sei que os fãs do famosíssimo El Sanjuanino provavelmente discordarão de mim, mas o fato é que elas não são as melhores da cidade. Aí vai meu ranking das 5 melhores empanadas de Buenos Aires:

1 – Los Inmortales – Pizzaria, café e restaurante, também tem uma loja na Av.Corrientes. O lugar está sempre lotado e é algo barulhento, mas o serviço é incrivelmente rápido para os padrões argentinos. As empanadas são assadas no forno à lenha, bem recheadas. A de carne picante é a melhor da cidade. Lavalle 746 – Microcentro.

2- Los Chicos – Em uma ida a Buenos Aires em 2008, já tive a impressão de que estavam entre as melhores empanadas locais. Na semana passada, fugindo das multidões que lotavam o centro da capital nos festejos do Bicentenário da Independência, me vi diante da praça do Congreso e resolvi me certificar de que as empanadas da pizzaria Los Chicos eram realmente boas como há dois anos. Não me decepcionei e as de carne e de roquefort continuam maravilhosas. Entre Ríos 118 – Congreso.

3- Gourmet – Aqui esqueçam os garçons correndo pelas pizzarias apertadas ou aquela deliciosa mesinha na calçada. Gourmet não é café, nem é pizzaria. Vende apenas empanadas e nada mais. São onze lojas espalhadas pela cidade mas, pela simplicidade dos espaços, nota-se que o forte da rede é o sistema de delivery. É para matar a fome na correria da cidade ou pedir do hotel quando bater o desejo de empanadas. As massas são deliciosamente crocantes e muito bem recheadas. Destaque para as empanadas de carne, pollo e a mini-empanada de dulce de leche. Delivery Gourmet –  Tel: 0810 9999 888

4-  El Sanjuanino - Talvez por sua localização, no bairro nobre da Recoleta, justamente atrás do hotel Alvear e a poucos metros da principal praça do bairro, as empanadas do El Sanjuanino são consideradas por muitos as melhores de Buenos Aires. O local é muito disputado por nativos e turistas e está sempre cheio. Oferece, além das famosas empanadas, um cardápio bastante diversificado, que vai desde pastas frescas como gnocchi ou ravioli, a pratos tipicamente indígenas, como tamales e locros.  As melhores empanadas da casa são as de carne picante e queso y cebolla. Posadas 1515 – Recoleta.

5- La Americana - É uma das mais tradicionais de Buenos Aires, funcionando desde 1935. Preparam todas as opções possíveis de empanadas, mas as melhores são a criolla e a de pollo. Av. Callao 83 – Congreso.

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